terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Alimentos Vivos - Dáfnias


Como se tem observado, a alimentação viva é muito importante para espécies criadas em aquários, pois possuem os mesmos valores nutritivos que os peixes encontram na natureza. Entre os alimentos mais utilizados pelos aquaristas, encontramos a dáfnia (Daphnia sp.), rica fonte de iodo, fósforo e cálcio, chamada também de pulga d’água.
Na verdade, as dáfnias são pequenos crustáceos da subordem Cladocera, medindo cerca de 2 a 4mm de comprimento. Na natureza vivem em lagos e charcos, locais de águas paradas e ricos em matéria orgânica. De aparência semelhante a uma pulga, seu corpo é ovalado e recoberto por uma espécie de concha transparente, com duas valvas que lhe servem de esqueleto. A cabeça é grande e os olhos são bem desenvolvidos. Possui 2 pares de antenas, sendo que o segundo par é bem desenvolvido e é por meio dele que as pulgas-d’água se locomovem, impulsionadas por pequenos saltos bruscos. O movimento é na maioria das vezes no sentido vertical e quase sempre espasmódico. A dáfnia dá golpes para baixo usando as antenas e é impulsionada para cima, depois submerge lentamente, utilizando as antenas como se fossem pára-quedas.
As dáfnias possuem geralmente 5 pares de apêndices corporais com forma achatada. O movimento contínuo desses apêndices promove uma corrente de água para dentro do corpo, sendo filtrada por cerdas localizadas na base dos apêndices. Eles funcionam como bomba d’água e filtro, um mecanismo muito eficiente para a coleta de plâncton, que é o alimento básico desses diminutos animais (uma colônia de dáfnias limpa, em pouco tempo, um aquário de água esverdeada repleto de plâncton).
A coloração das dáfnias varia de acordo com a presença de hemoglobina em seu sangue. As que vivem em águas bem aeradas (com grande quantidade de oxigênio dissolvido) não fabricam hemoglobina e têm a coloração branca. Já aquelas que vivem em águas estagnadas são vermelhas, porque precisam produzir hemoglobina para capturar o pouco oxigênio encontrado na água. Quando elas se transportam de um lugar pouco aerado para um outro com mais oxigênio, o excesso de hemoglobina é destruído e isso libera ferro, fazendo com que a coloração das dáfnias fique entre preta e cinza.
Apesar de ser um alimento altamente nutritivo para os peixes, as dáfnias não devem ser ministradas mais de 2 ou 3 vezes por semana, devido à grande quantidade de vitamina A que possuem. Essa vitamina só é benéfica em pequenas quantidades. Um procedimento correto é usar as dáfnias como parte de uma dieta mista e variada (os peixes podem ficar “viciados” em dáfnias e no inverno, época onde são encontradas com certa dificuldade, você terá problemas para alimentar seus exemplares). Elas devem ser servidas vivas e sempre em pequenas quantidades, pois além de serem grandes consumidoras de oxigênio, quando colocadas em quantidades superiores às que os peixes comem, elas morrem em 1 ou 2 dias e poluem a água do aquário.
A melhor época para se capturar ou cultivar as dáfnias é durante o verão e primavera, períodos em que sua concentração atinge números altíssimos devido à elevação da temperatura, que permanece entre 26º e 32ºC e facilita sua reprodução.
Criação
Um bom conselho aos aquaristas, é que eles tenham sua própria produção de dáfnias, o que não é muito difícil quando feita no verão. Ovíparas, as dáfnias deverão ser cultivadas em recipientes não metálicos para propiciar uma boa proliferação do plâncton. Você poderá usar um aquário ou reservatório plástico com capacidade para mais de 100 litros (recipientes menores não darão bons resultados) ou então uma caixa-d’água de 500 litros.
Coloque o recipiente em local aberto e onde bata bastante sol. A temperatura deve estar entre os 26º e 32ºC e, durante o inverno, o tanque terá que ser mantido em local aquecido (a instalação de uma lâmpada comum já resolve o problema). Encha-o de água doce e acrescente 2 colheres de sopa de pó de coral para auxiliar na criação de microalgas e algumas folhas de verduras secas ao sol, que propiciarão o desenvolvimento de infusórios.
Cerca de 4 dias depois, a água já estará verde e pronta para receber as dáfnias, que poderão ser coletadas ou compradas em lojas. Alimente-as com infusórios, caldo de legumes e caldo de coração de boi, espinafre batidos (uma folha de alface no tanque garante a reprodução constante de infusórios, não sendo assim necessário dar outro tipo de alimento). Após algumas semanas, já é possível notar uma nuvem vermelha (quando a aeração for baixa) de dáfnias próxima à superfície. Quanto maior a temperatura da água, maior será seu crescimento e multiplicação.
Nas concentrações desses pequenos crustáceos, o número de machos é muito reduzido e às vezes pode até mesmo não haver nenhum, o que torna comum a partenogênese (óvulos não fecundados desenvolverem-se normalmente e resultam em animais idênticos à mãe). Esse processo é usado para economizar tempo e energia. Na natureza, as gerações onde existem os dois sexos ocorrem nos períodos de maior oferta de alimento e as gerações só de fêmeas nas épocas de pouca comida. Numa criação em aquário, normalmente há grande quantidade de alimentos e talvez nunca ocorra uma geração exclusivamente de fêmeas.

fonte: http://www.portalnetuno.kit.net/dafnias.htm

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